Consciência
- gabriel gonçalves
- 2 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Tapioca
Há tanto tempo sem conseguir escrever, tanto quanto o tempo que não via você, minha mãe. 17 dias e consigo te encontrar enquanto você dorme, reparo no que imaginava tanto desejar, pelo menos nos últimos tempos, pelo menos nos últimos anos. Reparo a casa que eu tanto reclamo com a decoração tão organizada, até mesmo bonita. Reparo nos livros em cima da mesa em posição posta por alguém que gostaria de pensar no que leu. Você mudou, nunca acreditei nisso, eu mudei, nunca acreditei que eu teria alguma culpa nessa história, não é fácil me sentir incompreendida desde tão criança.
Desde então eu desejo ser amada por você, desde muito tempo, não sei se consigo pensar em um querer mais profundo, e me desculpe por isso também, mãe. O resumo é que hoje, eu não sei se realmente devia me desculpar. O que eu imagino desejar talvez seja impossível de conquistar. Queria a paz, a liberdade, e o que mais eu já achei que mereço.
Eu não sei se mereço. Eu comparo o tempo todo as outras com você. Comparo o tempo todo outras vidas com as nossas. Penso se eu cheguei pra atrapalhar sua vida, sua juventude. Penso que agora eu sou uma das poucas pessoas que te restou para amar, eu sempre servi pra cuidar de você. Eu amo você. Eu não amo o que você fez comigo. Eu me culpo por ter sido a única que sobrou. Você me deu tudo.
Eu desejo sua inocência, sua forma mais infantil, sua forma mais pura, seu senso crítico, desejo sua amizade, seu passado, e principalmente seu cuidado. A ilusão que basta ser honesto para ser feliz.

Interessante o mistério trazido pela crônica, de não deixar claro o alvo do desejo, mas descrevê-lo. Gostei bastante.
Ótima crônica, Tapioca! Achei de um tom muito delicado. 🕷️