Coringa
- gabriel gonçalves
- 23 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Jorge M
Não o inimigo do Batman. Não o camisa 8. Mas aquele que se encaixa onde for preciso. Ou o que faria de tudo para isso.
Nessa complexa linha de auto definições, acho que me enquadro no meio, ou perto dele. Até pela minha ansiedade e tentativa de controlar tudo o que for possível, passo a imagem de alguém mais racional, mais ligado ao pensamento. Mas quando se trata de temas que me importo, que tenho algum tipo de conexão, me altero com uma facilidade na qual nem eu acredito muitas vezes. Defendo meu ponto de vista com tamanha intensidade e força, que gero conflitos que poderiam ser tranquilamente evitados. Talvez seja essa a força que me falta em outras áreas da vida, mas que por alguma razão se concentra toda nessas duradouras discussões.
Quanto a minha relação com o exterior, acho que sou o que consigo ser. O que me permitem ser. Até mais do que deveria.
Uma vez, alguém me perguntou se eu sou o tipo de pessoa que "enche a sala". Depois de muito pensar, acho que eu sou, mas só se a "sala" for simpática comigo. Me der abertura. Um sinal. Um oi. Um olhar. Qualquer coisa. Mas sem ele, eu apago. E fico ali, como uma planta, observando, torcendo para algo acontecer. Imóvel. A espera. Esperançoso. Mas conformado.
Meu problema pelo visto era a iniciativa. O problema do meu problema é que muitas vezes a iniciativa é o que conta. Então talvez eu não conte. Não contava que seria assim. E assim fiquei. Escondido, no meio da definição, e no meio desse meio, que, como diziam os naturalistas, me definiu. E continua me definindo, enquanto eu não me definir primeiro.

Acho que o último parágrafo consegue trazer bem a complexidade e confusão desse sentimento. Bom texto.
Que leitura envolvente, me captou em todo momento
Como Peter disse seu jogo de palavras é incrível, talvez seja esse seu grande trunfo, isso desde a primeira crônica.
Além disso, você é ,em suas muitas faces com certeza sentimental, se estava implícito em palavras é explícito em toda sua conjuntura.
Não te conheço, mas tenho certeza que você enche a sala, deve ser a pessoa que na falta ficam se perguntando onde está o rapaz Jorge e oq anda fazendo – tenho essa intuição.
Texto genuíno, parabéns!
Ótima crônica, Jorge! Acho que se pode fazer uma analogia com um camaleão, que se adapta a ambientes diferentes a depender da companhia, assim como um camaleão desmancha seu disfarce quando seguro, você se desmancha de observador para mediador.
Jogo de palavras e narrativa incríveis. Acho que é de suma importância defender nossos ideais, assim como você diz fazer. 🕷️