Crônica escrita no pôr do sol (A gravidade que levanta e derruba)
- gabriel gonçalves
- 20 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Cafeína em palavras
“A sombra, inimiga da penumbra
A noite eterna sob o poder do dia
Inexistentes são
Sabendo disso,
Perpetuar a horrorização da vida alheia
Assassina a parte que considero mais leve que uma pena
Convoco a cisão
Acabo com sua pena
Finalizo minha respiração
Usufruo da gravidade que me mantém no chão
Aprendo minha única lição.”
Acordo todos os dias sentindo que sou sacrificável, ignóbil, detestável. Não sou triste, apenas não alcanço a felicidade quando penso em mim. Espelhos são completamente proibidos. Jamais posso ver o que os outros têm o direito de desprezar.
Durmo todos os dias com raiva. Em um mundo de pessoas tão insignificantes, com pensamentos triviais e ideias descartáveis, como pode alguém como eu ter nascido? O silêncio é o maior presente que podem me dar. Um palco, para mim, é o maior presente que eles podem se dar.
O sol escaldante me queima e me despe de qualquer proteção. Qualquer um pode ver a desgraça que sou. Meus erros se escancaram, meus acertos, e a falta deles, gritam. Espero a polícia surgir e me prender por destruir a harmonia da natureza após meu nascimento. Para o horripilante o dia é a desolação.
A noite é fria para os idiotas. A lua brilha somente para mim. A gravidade puxa todos em minha direção. A grandeza e uma mente brilhante geram o calor que permite a vida andar. Para as formigas que atrapalham meu caminho, resta a frieza da sola do meu sapato.
Peço desculpas pelo incômodo. Me recolheria na sombra, mas ela guarda muitos perigos. Tentofinalizar minha respiração, mas sou terrível no meu coração, então não consigo acabar com sua pena.Por fim, não desafio a gravidade que me mantémno chão.

amei o titulo, parece um podcast amem
Interessante a forma que você faz citações no texto, muito bem colocadas, não só nessa crônica mas ao longo do período. Parabéns pelo texto e pelas reflexões apresentadas e bem escritas.
Quanta complexidade no seu texto! É assustador mesmo quando pensamos na nossa insignificância diante do mundo. Gostei da introdução com um pequeno poema e posteriormente o uso das metáforas e comparações.
Cafeína, achei sua escrita tão poética! 🕷️