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Ela. Ou paz.

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 2 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Jorge M


Eu tinha certeza. 

Todos os passos foram calculados com uma perfeição inimaginável para alguém que é da área de humanas. Tinha conversado com amigos, com minha familia, revisado passo a passo como aquela difícil escolha seria tomada, e como faria aquilo respeitando a história que tivemos. Pesando prós e contras, vendo tudo que tinha acontecido, e analisando o que eu sentia, estava claro. Era hora de terminar, era a escolha necessária.

Mas assim que aquela mensagem foi mandada, desencadeando toda uma corrente de tristes eventos, toda a certeza foi embora. Junto com ela.

Desde aquele dia o conceito de certeza deixou de existir. Não consegui mais decidir o que comer, o que vestir, o que fazer, como interagir com as pessoas ao meu redor, sem duvidar de mim mesmo logo depois. Não conseguia sequer lembrar se tinha lavado o cabelo após tomar banho. A situação era crítica. É crítica. Porque ainda não tem solução.

Costumo pensar que estou vivendo uma ditadura da ansiedade. Perdi a capacidade de fazer algo sem me questionar ou revisar o que fiz logo depois. Vivo me escondendo da minha versão da Verônica, buscando preencher meus horários o tempo todo para não ter que conviver comigo mesmo. Me tornei meu maior inimigo, quando mais precisava de apoio.

Por mais importante que ela fosse, eu não sabia que toda a minha segurança, auto estima e auto confiança estava tão intrinsecamente ligada estava ligada a uma pessoa. E quando perdi ela, quando escolhi perdê-la, foi como perder um pilar de uma casa, porque sem ele, a estrutura desaba. E eu desabei. Ainda estou "desabado". Não sei como levantar.

Eu não quero ela. Ja não queria a um certo tempo. Fiz a escolha certa. Racionalmente, eu sei disso. Eu acho que sei. Não sei mais. Não aguento mais.


O que eu desejo é a segurança que a presença dela me trazia. A confiança que eu tinha. A tranquilidade que eu perdi naquele dia. 


Desejo paz


Por favor

 
 
 

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4 comentários


florbela
03 de mai. de 2025

A vida é um processo de aprendizagem, você vai conseguir passar por isso e espero assim, alcançar a sua paz.

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Izabel Dos Prazeres
Izabel Dos Prazeres
03 de mai. de 2025

Sua crônica é profunda, o que nos mostra que o sentimento é também. É cliché dizer que as vezes o amor não é suficiente para manter uma relação, mas é uma realidade que transparece nesse texto. Você é talentoso, querido. Parabéns!

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Peter Parker
02 de mai. de 2025

Texto fabuloso. A referência a "Verônica" que se tornou tão famosa entre nós, é absolutamente incrível, o tipo de coisa que nos solta um sorriso enquanto lemos. Términos são difíceis, ainda mais aqueles que vem de relacionamentos profundos e mais bons que ruins, como dito por você próprio, é como se um pilar de nossas casas desmoronasse e restasse as ruínas. 🕷️

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Odysseus
Odysseus
02 de mai. de 2025

Términos são difíceis, principalmente em relacionamentos que já faziam parte da nossa rotina. Recomendo fortemente não se privar de você mesmo, já passei por algo semelhante e quando parei pra ouvir a pequena voz que gritava dentro de mim, embora por dias ela continuou gritando, no final sobrou o silêncio, a paz.

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