Ele era adoçante ou açúcar?
- gabriel gonçalves
- 9 de mai. de 2025
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Crônica por: cafeína em palavras
Nadei nos seus braços, sentindo que ia me afogar no mar. Eu era apenas um café recém-passado, ainda sem açúcar. O momento me consumiu até que eu perdesse o controle das minhas ações e, futuramente, das minhas memórias.
O que sobreviveu na minha mente: a minha luta contra a sensação no corpo quando eu pensava em você e quando, infelizmente, te via. Era difícil saber quem cederia primeiro nessa batalha: minha vontade ou minha moral?
Quando cruzei os braços e as pernas para proteger minhas partes mais vulneráveis ao seu mar, que ameaçava engolir uma criança na parte rasa, você foi mais esperto. O doce mel de sua voz chegou, e eu não tive como me defender ou reagir, apenas mergulhar.
Descobriram, no final de uma tarde, em uma casa que, para todos, eu não conheço, tudo o que eu escondia com pudor. Eu estava quente e amargo demais, mas você usou as correntezas para me levar nas direções certas.
Um ótimo professor, eu diria: animado e paciente. Quis usar minha boca para que eu dissesse as coisas mais íntimas, enquanto eu não usava palavras. Quis usar meu corpo como uma rocha que sofria com as pancadas da água do mar.
Fui esfriado e adoçado a cada onda, redemoinho e, por fim, pela tempestade. A maré baixou, e eu pude sair daquele feitiço de sereia. Nunca mais voltei para esse mar, mas ele me ensinou como andar nas águas de outros em que eu quis entrar.

Texto muito bem escrito. Adoro o uso das metáforas, que me fazem ler várias vezes para tentar entender o que realmente você está dizendo.
Adorei a forma como você trabalhou as metáforas na narrativa, conseguiu me prender até o fim.
Título muito interessante que traz uma metáfora bem desenvolvida ao longo da crônica, meus parabéns pelo texto