Filme de sessão da tarde
- gabriel gonçalves
- 2 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Peter Parker
Desde novo, sempre assisti a muitos filmes na TV aberta. Sabe quando você almoça assistindo a um filme bobo na Sessão da Tarde? Essa era a minha rotina diária. Talvez você visse com sua família reunida; comigo, era sempre sozinho — mesmo nas vezes em que meu pai estava próximo fisicamente, ainda assim, estava distante demais. Era sempre eu comigo mesmo. Assistindo àquelas cenas bonitas de filme em que a família toma café junta à mesa, com alguns sermões, risadas que contagiam, beijos e abraços, um amor que brilhava no ambiente como uma luz. Era um mundo distante para mim. Não por serem fantasiosos, mas porque estavam afastados demais do meu dia a dia. E, conforme eu crescia, tornar aquelas cenas fantasiosas em realidade se tornava, cada vez mais, um desejo.
Cresci sem essas fantasias. Cresci só — jogando bola sozinho, fazendo minhas coisas sozinho. Os finais de semana eram longos demais, e as festas, curtas. Os momentos de carinho eram escassos — e, muitas vezes, frios. Mesmo assim, a vida me alimentava com um fio de esperança, como se eu pudesse fazer meu futuro ser diferente — e melhor. Sabe aquelas pessoas com facilidade com crianças? Sempre fui eu — mesmo que eu não fosse uma criança fácil. Os pequenos gostam de mim. Isso alimenta uma sensação de que talvez eu vá ser um bom pai, que talvez eu vá ter uma bonita família. Creio que isso tenha despertado esse anseio tão forte, que chega a ser tangível: o desejo de ter uma família.
Não quero perfeição — aliás, quero distância disso. Não quero uma família de comercial de margarina. Quero tropeços na calçada com risadas, erros que a gente perdoa, domingo com frango assado no almoço, abraços tranquilos que esquentam. Quero ouvir “𝘁𝗲 𝗮𝗺𝗼” com a mesma frequência com que se escuta “𝗣𝗔𝗜, 𝗖𝗔𝗗𝗘̂ 𝗠𝗜𝗡𝗛𝗔 𝗠𝗘𝗜𝗔?”. Quero estar presente. Quero ser o adulto que chega em casa e ouve passos correndo ao meu encontro — e não o que é lembrado por visitas esporádicas e mensagens mornas, como meu pai.
Se o passado me ensinou o que dói, o futuro talvez me ensine como se cura. Quero uma família que seja verdadeira, que seja íntima, que tenha seus rituais de Natal e Páscoa, que tenha suas brigas, que tenha seus perdões, que seja calor no inverno e frio no verão. Quero algo real. Dentro de mim, queima essa chama. E toda vez que vejo novamente aqueles filmes da Sessão da Tarde, sinto como se um carvão alimentasse esse calor — e, ao mesmo tempo, ainda me sinto distante de realizar este desejo.

Sabe, quando pensava no que escrever em minha crônica quis falar exatamente sobre isso. Quando temos pouco ou quase nada do que é considerado "normal", a gente começa a desejar ardentemente aquilo que é ordinário, que comum. Sua escrita é clara, polida e profunda, mesmo que direta. Sua futura família terá sorte!
Sua escrita é profunda e tocante! Dá para sentir cada vírgula carregada de saudade, esperança e vontade de ser diferente do que te faltou.
Assim como os outros colegas, estou na torcida para que você forme sua família feliz e amorosa, Peter.
Obrigado a todos que tiraram alguns poucos minutos do seu dia para a leitura desta crônica.
Abraços do seu amigo da vizinhança! 🕷️
É muito real a idealização da família na TV, todo mundo junto nos momentos que na realidade nem sempre é assim, compadeço com o sentimento e tenho fé de que você terá uma linda família um dia, Peter, não grande e perfeita, mas linda por si só.
Uau, você mais uma vez me deixou sem palavras, Peter! "Se o passado me ensinou o que dói, o futuro talvez me ensine como se cura."
Sua escrita é pura, carregada de sentimentos, sincera, e essas coisas fazem ela ser completamente tocante! Tenho certeza que seus filhos terão um Pai, com P maiúsculo, não por ser perfeito, sem defeitos, mas por dar tudo o que tem, e além do que recebeu!
📕 - Capitu