Flor do Vazio
- gabriel gonçalves
- 30 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Botânico
Bom, depois da última crônica acho que não tem outro arquétipo que se encaixe comigo além do cuidador, não acham? Hei de concordar com vocês, meus queridos e gentis leitores, que sou um cuidador nato. Tá precisando chorar? Eu estou ali para você se escorar, alguém importante para você morreu? Vou atrás de você tutelar até não precisar mais, te dou até banho e de comer se necessário, eu me dou 200% para todos, a troco de quê? Sinceramente, acho que para preencher meu vazio.
Vazio, solitude, um silêncio que GRITA dentro de mim, todo instante, todo segundo, todo minuto, ao anoitecer repousando ele vem, como um velho amigo que se acopla em mim com um café quente e sem açúcar, torturando minha mente com culpa, a insuficiência e insegurança, remorso, ansiedade e o que mais der na telha dele, maldito vazio. Acaba sendo um contemplamento mútuo, o vazio me olha e eu olho para ele, quando isso acontece eu acredito, acredito que aguento a dor, e acho que é por isso que eu sou um cuidador.
Cuidar me faz ignorar esse vazio, numa posição egoísta e egocêntrica eu acredito em sugar toda a dor dos que eu amo, “ eu aguento”, disse o cara que mal tá se aguentando (hilário né?), mas acho que isso sintetiza um cuidador:
Não somos bons para nós mesmos, nem nos cuidamos, nos damos 0 valor, mas se alguém que a gente valoriza, botamos nossa melhor máscara e vamos para a “guerra”.
Como um botânico, nada importa mais que o bem estar das minhas flores, minhas orquídeas, girassóis, narcisos, hortênsias e todas as outras que ainda não tem um rosto e significado.

Gostei do uso das metáforas. Não sei se foi algo estrategicamente pensado, mas talvez encurtar mais as frases podem fazer com que a mensagem seja compreendida de uma maneira melhor.
Que crônica bonita. Mais uma. Gostei bastante de como você descreve ser um cuidador, de como se preocupa com o outro e sempre tá disposto a ser o ombro amigo. 🕷️