Intraduzível
- gabriel gonçalves
- 2 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Crônica por: Nástienka
Me pergunto se é fictício desejar um espaço onde nem todo sentimento precise ser traduzido. Isso, se chamaria, talvez, ilusão, mas gosto de pensar como realidade ainda impalpável.
Desejo olhar no olho e dizer muda: me devora de dentro para fora, deixa sua marca em mim. Entenda não só minhas palavras, mas, sobretudo, meu silêncio. Clamo: me sinta.
Quero que ele — não alguém, ele — ouça o que não digo. Quero me sentir tangível, compreendida, real. Espero encontrar respostas sobre mim no seu olhar. Suplico: me enxergue.
Desejo um amor etéreo, incomum, profundo. Imploro: se deixe em mim. Quero mergulhar no teu remanso enquanto teus segredos mais íntimos se revelam em um beijo. Eu quero a tentação. Anseio pela nudez. Desejo a entrega.
Eu quero você como veio ao mundo.

Nastienka, sua crônica me fez refletir sobre a importância de ter alguém que te compreende mesmo que você não diga nada. Texto bem interessante, parabéns pela escrita.
Repetindo o dito pelo amigo, Odysseus. O uso do imperativo intimida, te põe contra a parede como quem deseja o indesejado, te traz identificação. Afinal, talvez não há desejos maiores que os carnais. Texto muito bom, impiedoso nas falas, soa como um desabafo de um desejo que grita de dentro pra fora, um desejo que só você pode controlar, um desejo de outro. Ele. 🕷️
Achei o uso do imperativo tão forte no texto que me senti intimidado, como notar que alguém estava te encarando a algum tempo e não saber como reagir, se encarar de volta ou desviar o olhar. Ótimo texto!