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Aquele? É, ele mesmo

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Jorge M


Aquela aula de química. Fim da manhã de uma semana qualquer, em que o professor faltou e você e seus amigos ficaram conversando e rindo a aula toda. Apesar de ela ter sido o que sustentou seu ânimo pra aguentar as pressões do Ensino Médio, quando você lembra das melhores partes do tempo de escola, não pensa nela.

Aquele amigo. O que sempre tentava juntar todo mundo, que marcava todas as saídas em grupo, que cobrava todos a ir, que era o primeiro a chegar para conseguir pegar mesa para todos. Apesar de ser ele a ligação entre as pessoas mais diversas daquela turma de amigos, quando você pensou em por quê aquele grupo parou de se ver, não lembrou dele. Nem de todos os convites que você recusou, ou só ignorou. Nem de quando ele desistiu.


Aquele aluno. O que, ao ver uma apresentação cultural em forma de competição, se empenhou em fazer o melhor com aquela oportunidade. Que reuniu o time, deu ideias, fez o roteiro, se estressou, e ainda coordenou a produção. Apesar de todo o trabalho, quando vocês comentaram e votaram nos melhores e nos mais esforçados, não lembraram dele. Nem das noites que ele mal dormiu para avançar o projeto. Nem da amizade que, pelo bem do grupo, ele perdeu.

Aquele garoto. No canto da sala, tentando se enturmar, sim, esse mesmo. O que, para conseguir ter com quem conversar, se deixa ser zoado e diminuído mais do que sua auto estima consegue aguentar. Talvez ele esteja contradizendo o que ele mesmo acredita para ser incluído. Talvez ele busque demais uma aceitação que nunca vai chegar. Talvez ele só esteja buscando um amigo, em meio a tantos que já o deixaram. Talvez ele busque tanto outras pessoas para evitar encarar o vazio que está dentro dele. Mas não tem como saber. Você nunca perguntou.

Ninguém nunca perguntou.

 
 
 

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3 comentários


Izabel Dos Prazeres
Izabel Dos Prazeres
11 de abr. de 2025

Uau, que abordagem boa! Muito criativo e fora do convencional. Adorei sua crônica e me identifiquei demais, parabéns!

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Tangerina
11 de abr. de 2025

Esse texto é uma prova de que olhares atentos produzem coisas lindas


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Peter Parker
11 de abr. de 2025

Crônica tocante. Quem nunca teve um amigo desses? Ou, quem nunca esteve no papel deste amigo? Para aqueles que mais se esforçam, o esquecimento parece ser o fim que mais tentamos evitar. 🕷️

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