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Velha infância

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Kenai


Nos é posta uma série de expectativas enquanto filhos, de que não usemos drogas, cuidemos de nossos pais quando

ficarem velhos, ir a escola, faculdade, ingressar no mercado de trabalho e formar uma família. Será que nossos pais,

enquanto pais, exigem de si mesmos tanto quanto de nós? Imagino q sim, até por isso eu perdoo o meu pai, mais como pessoa do que como pai, não acho que ele tenha sido isso

pra mim. E muito estranho ver quantas versões alguém pode ser para

diferentes pessoas, pra mim ele foi alguém com que eu dividi a minha casa durante 7 anos da minha vida, eu não o conheço. Para minha irmã um bom pai até a sua adolescência, eu imagino. Honestamente eu não sei o que ele foi pra ela, irônico estar em um curso de comunicação, acho que é pra suprir a que eu não tive dentro de casa. Para

a minha mãe, eu imagino que um bom namorado e marido até que ele se tornasse um encostado. O meu problema não foi a separação até porque pra minha

eu de 7 anos significava que não iria mudar muita coisa, eu continuaria sozinha assim que chegasse da escola até que a minha mãe voltasse do trabalho, para a minha eu de 3 anos seria uma perda tamanha. Eu me pergunto o que aconteceu nesse meio tempo. Não comigo porque hoje eu ja entendo que a culpa não era minha, mas, de onde vinha tanta raiva? Não tenho uma memória de alegria ao seu lado, talvez fossem tão poucas que as ruins se sobressaíram. E não que ele seja o meu maior trauma, eu não o daria todo esse espaço na minha vida, mas sem dúvidas eu não teria metade dos problemas que tenho se ao menos ele tivesse fingido que se importava. Eu não tenho raiva, magoas, nada. Honestamente acho que isso é pior pq significa que você não existe pra mim. Eu

consigo entender que pessoas passam por momentos ruins e dificuldades na vida, mas nem me dou ao trabalho de tentar entender alguém ser ruim com uma criança, descontar suas frustrações em uma criança e depois dizer que a ama. Sua sorte foi que eu nunca acreditei.

 
 
 

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2 comentários


Izabel Dos Prazeres
Izabel Dos Prazeres
11 de abr. de 2025

Kenai, parabéns pela coragem de se abrir e pela maturidade ao perceber as diferentes percepções que diferentes pessoas podem ter da mesma pessoa. Isso é difícil e você fez muito bem. Para além disso, acho que há uma mudança de vozes no texto (ora você fala com o leitor, ora fala com seu pai) que poderia ser mais trabalhada na estrutura do texto. Gostaria de vê-la explorar mais no gênero, você é incrível e vai crescer muito!

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Peter Parker
11 de abr. de 2025

Ótima crônica. O sentimento de sinceridade que paira do início ao fim, como uma luta contra o passado e presente é incrível. 🕷️

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