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O pai que nunca tive

  • Foto do escritor: Isabela Pelluso
    Isabela Pelluso
  • 11 de abr. de 2025
  • 1 min de leitura

Crônica por: florbela


A passagem do tempo revela verdades. O homem não sustenta o personagem para sempre, no mundo de hoje, até as máscaras têm data de validade.Então, será que o abandono é inevitável? O pai ama sua menininha, inocente, compassiva, e que ainda não encontrou sua voz. Mas toda menina cresce e percebe sua doce ilusão, as mentiras e manipulações feitas pelo pai.

A potência de um trauma pode se mostrar silenciosa. O que antes era considerado irrelevante ganha tantos significados. A filha dava como garantido o afeto paternal, que, aos poucos, se afastava. Será que foi porque, pela primeira vez, ela fez sua voz ser escutada e não se apagou diante da presença dele? Pelo visto, o orgulho do pai é maior que o amor pela filha.

 Em um mundo em que tudo se renova, as famílias são descartáveis. Troca-se como roupa. E já passou a vez dela, chegou a hora da próxima.Talvez, até o amor tem data de validade. Mas por que a saudade da filha não tem? É um machucado que não para de sangrar. Como uma pessoa pode exercer tanto poder sobre outra? 

Mais perguntas do que respostas, isso deve refletir a mente da escritora. Se desejos podem ser realizados, a filha quer seu pai de volta. Mesmo com as cicatrizes e mágoas, o amor dela é maior que o orgulho dele. O valor de mentir não deve ser mais forte que o de amar. O valor da voz não deve ser apagado.

Então, talvez, o que a filha deseje…Seja um pai que nunca teve.

 
 
 

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2 comentários


Tangerina
11 de abr. de 2025

Vejo falar--se muito pouco sobre esse afastamento dos pais e filhas com o tempo e a idade... que bom que você trouxe isso! Que texto rico.

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Peter Parker
11 de abr. de 2025

Crônica com uma narrativa temporal coesa e imensamente bela de se ler. 🕷️

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