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O Rio precisa de mais do que ordem.

  • Manuella
  • 10 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

A operação contenção nos complexos Alemão e Penha ocorrida na última semana no Rio de Janeiro, resultou em 113 prisões e deixou 121 mortos, sendo 117 suspeitos. Na madrugada de terça-feira, 28 de outubro de 2025, cerca de 2500 policiais civis e militares chegaram aos complexos.

  Quase todos os bandidos estavam trajados com roupas camufladas ou pretas. A medida que o confronto entre policiais e bandidos se intensificava, bandidos fugiram pela Serra da Misericórdia, que liga o Complexo do Alemão com a Penha.

  Antes de qualquer análise fria, a resposta primária deve ser o lamento e a compaixão diante de tantas vidas perdidas, pelas famílias em luto, e por uma comunidade traumatizada. Uma pesquisa Atlas revelou que 87,6% dos moradores das favelas do Rio apoiaram a operação. Tal dado mostra um profundo desespero de quem vive diariamente sob o mandato opressor das facções, se mostrando dispostos a cooperar com atitudes extremas como a mega operação policial, para ter o mínimo de paz como algo ordinário. 

  Infelizmente, o buraco é mais embaixo. A força do Estado pode até conter o perigo temporariamente, mas é incapaz de curar uma sociedade. A contenção do crime é necessária, com certeza, mas não é a cura para as raízes sociais profundas do problema, nem do trauma coletivo deixado por décadas pela violência rotineira. Para que as comunidades sejam restauradas, o vácuo deixado pelo poder alternativo não pode ser preenchido apenas pela presença policial, ele precisa ser inundo com dignidade, oportunidade, educação e respeito para as favelas e seus moradores de bem, que chamam de vida um caos desordenado.



Carmen Santiago 

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1 comentário


Cece
Cece
11 de nov. de 2025

Acho que faltou um pouco de “história”. Mas ficou ótimo!

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