Palpite do amor não resolvido
- gabriel gonçalves
- 2 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Crônica por: Tuca
Tem dias que ele volta, não ele de verdade, mas a ideia dele. Sorrateiramente ele aparece, sempre que vejo algo do Botafogo, sempre que penso na medicina, sempre que vou à Praça Vanhargem, sempre que sinto aquele perfume, sempre que ando pela Zona Sul.
Estranhamente, espero te encontrar na praia da Urca, ou então pelos bares de Botafogo, ou até mesmo no metrô da Tijuca. Infelizmente, fomos um quase. Pouco para sermos algo, mas muito para não sermos nada. Nos conhecemos o suficiente para virar vício, mas não o suficiente para virar história.
Frequentemente você me questionava, me rondava e fazia questão de se fazer presente no meu silêncio. A minha ausência te assustava, você, claramente, não gostava e ficava agoniado com isso. Peço desculpas. Não posso prometer que seria diferente, mas com certeza, eu faria de tudo para que tivesse sido.
Queria, assim como Anavitoria, contar a São Paulo que te amo. Gostaria, assim como Djavan, desaguar em você, como um oceano. Exatamente como Jorge Ben Jor, quero esquecer você. Porém, como Gal Costa, tudo que é amor, lembra você, logo, nunca vou te esquecer.
Ironicamente, de todas as músicas populares brasileiras, a que fica em minha mente quando penso em nós, é a que eu mais cantava quando estava com você. Afirmo, assim como Vanessa Rangel, que estou com saudades de você debaixo do meu cobertor. Que guardo na boca, o gosto do beijo. E reflito se você volta. Afinal, tudo não passa de um palpite.

Uma Helena de Manoel Carlos refletindo o amor em sua juventude, é o que esse texto me passa. Seja pelas referências a nossa MPB bem colocadas, seja pela inocência juvenil frente a um destrutivo "quase-algo". A vida tem dessas, querida Tuca. Mas tem muita beleza pela frente também. Lindo texto!
Texto muito interessante, com diversas citações bem colocadas, e que dá momentos agradáveis ao leitor. Uma pena que vocês tenham ficado no triste meio do caminho, que aflige sempre os que param nele.
O meio-termo, o quase, o talvez. Certamente corroem mais o coração e a alma do que uma afirmativa positiva ou negativa. As referências a artistas de MPB — que sou muito fã — é um toque sútil e belo, afinal, tudo que é amor parece com você.
O amor há de perdurar por mais tempo, Tuca. E, você segue com mais um texto formidável. 🕷️
"Nos conhecemos o suficiente para virar vício, mas não o suficiente para virar história."
Essa frase doeu, é forte o peso que essas palavras tem, pois viver o não ou o sim, nos sabemos o que foi feito e o que não foi feito, mas o quase, nada de fato foi feito e resta o "e se".
Consigo sentir a agonia e talvez frustração em cada palavra do seu texto. Acredito que um “quase” bagunça muito mais do que um sim ou um não.