Quanto desassossego
- gabriel gonçalves
- 30 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Crônica por: Bernardo Soares
Frequentemente arco com as responsabilidades que criei para mim. No conforto do talento, da família e de tudo que Deus e a sorte poderiam me dar, decidi rejeitar o sofá e, regado dos meus privilégios, abraçar o mundo. É o clichê do explorador. A diferença é que aqui não há romance, só cansaço. Não vejo o porquê da firula do suspense ou da presunção da anedota em estender essa confusão ou procura por arquétipos. Digo isso, como quem acha que sabe de tudo, atestando a presunção e ignorância que é prever a análise no que digo, que é tudo o que mais me irrita.
A previsibilidade, minha ou dos outros, me aborrece, ao mesmo tempo que evidencia que é difícil demais articular o que está dentro com o que está de fora da minha mente. É, não sou corajoso o suficiente para explorar meu íntimo assim. Talvez o dos outros, o das coisas, o dos mundos pela frente, mas o meu? Deus me livre, deixo essa para quem diz me amar. Coisa difícil. Se eu mesmo não articulo direito, imagina quem tem a própria cabecinha, cheia de suas vaidades, firulas, anedotas e previsibilidades? Tarefa dura de se arcar.
Novamente, pouco me importa entender o que vem de dentro. Muito me importa o que vem de fora, e isso já comunica o suficiente.

ta tenso neah so uma pinga pra ajudar nois
Simplesmente amei a sua crônica. Essa sinceridade é pra poucos, viu?! Sinto que bateria um papão com você.
Bernardo, gostei muito dessa crônica. Para nós, exploradores. Eu menos que você, talvez. Não tem curiosidade maior que o que vem de fora, a brisa que invade a janela em dias de verão e uma vida imprevisível às vezes dentro da previsibilidade de um dia de faculdade. Gosto muito de como você traz sua personalidade para o texto, sem ladainhas, sem enrolar, sem se intimidar. 🕷️