Rio 2025
- Manuella
- 10 de nov. de 2025
- 1 min de leitura
É estranha a sensação de ser o mais protetor da família — e, em casos como este, não conseguir fazer nada. Ao ver o noticiário, não acredito na dimensão de tudo. O que faço primeiro? Mando uma mensagem para minha mãe. Ela deve estar desesperada, sozinha em casa com meu irmão. Meu chefe está ao meu lado e diz que posso ir para casa mais cedo. Ele entende a situação e me libera. Pego minhas coisas depressa, sem pensar muito. Só quero ver minha família.
Saindo do prédio, percebo o caos da cidade. Como vou pra casa? Não importa — depois, só piora. A angústia me acompanha no caminho. Ficar atualizando o Twitter também não ajuda; sinto que vou ter um treco. Eu não posso perder mais ninguém. De novo, não.
Quando somos crianças, achamos que temos o mundo de possibilidades nas mãos. Se quisermos, podemos conquistar carros, casas, viagens caras — e, principalmente, dinheiro. O sonho é universal: “Quero ser rico. ”Mas crescemos e percebemos que não é questão de querer, e sim de poder.
Mesmo com o meu córtex pré-frontal formado, o sonho não mudou. Continuo querendo ser rico — pois só assim conseguiria viver em uma rua onde não andem com fuzis nas mãos, onde não haja toque de recolher em um dia qualquer, ou onde o som dos tiros seja desconhecido pra mim.
Não tenho culpa de morar aqui. Ninguém tem. Também não acredito em destino — porque, se existisse, não seria tão cruel assim.
Arabella

Achei impactante ! Arrasou!