Sangue latino
- gabriel gonçalves
- 23 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Kenai
Quando eu era mais novo, eu observava muito todas as pessoas que podiam ser espalhafatosas, falar alto, chamar atenção. Na minha casa, eu não tinha liberdade para ser assim; eu tinha que internalizar tudo o que sentia, o que pensava e até o que via. Eu era uma criança animada e tudo mais, mas ainda existia um recalque daquilo que eu não poderia ser de fato.
Quando eu subia no palco para fazer uma peça, aí eu sentia que podia ter a atenção que queria, que poderia gritar, falar alto, ser espalhafatoso e as pessoas aplaudiriam. Lembro que, por volta do sexto ano, tinha um menino por quem eu era "apaixonadinho". Ele era justamente tudo o que eu não era. Já que eu não podia ser, então eu queria ter, mas ele nunca me daria atenção e eu nem sabia exatamente como fazer isso.
Depois de trocar de escola, eu pensei em não me sujeitar mais àquela posição, tipo a Rita Lee, que um dia decidiu mudar e fazer tudo o que sempre quis. Não tinha mais teatro, mas talvez a vida fosse o meu novo palco.
Vocês devem estar lendo e pensando que talvez hoje eu seja como Ney Matogrosso era em cima do palco, mas, para quem é de fora, não é nada demais; para mim, era uma grande performance de Secos e Molhados. E eu me tornei a pessoa extrovertida que eu queria.
Acho que existe um grande equilíbrio entre o sentimental e o pensamento em mim. Os sentimentos são os que eu recalcava quando era criança e, hoje, eu tenho liberdade para colocá-los para fora, mas o pensamento e a cabeça da idade não me deixam ser 100% impulsivo.
Já entre sensação e intuição, é algo mais complexo. Valorizo demais as coisas que eu sinto, a ponto de ignorar coisas que não deveria, mas a minha intuição é muito aguçada. Chamem do que quiser: trauma, força espiritual... O fato é que eu sei o que devo ou não fazer, quando ou não fazer. É muito fácil reconhecer o momento das coisas para mim.
Não que a sensação anule a intuição, ou vice-versa, e também não é como se eu estivesse certo o tempo todo, pois às vezes eu não escuto minha intuição.

Como é acolhedor ler alguém que se conhece, provavelmente não inteiramente, mas o suficiente pra manter um leitor preso aos seus pensamentos sobre si.
Isso é domínio da escrita e em si mesmo.
Meus parabéns:)
Kenai, seus textos estão cada vez melhores. O jeito como você narrou um pouco das suas vivências e mostrou como influenciaram no seu modo de ser, adorei. 🕷️
Kenai, vejo uma grande evolução no que diz respeito à estrutura do seu texto e de sua linha narrativa. Excelente uso de referências também. Que lindo!