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Sem censura

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 2 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: florbela 


É uma euforia que começa devagar… um arrepio sutil que vem com o novo. Felicidade que não precisa de explicação — mas, se eu desvio o olhar, quero ver você ali, ao meu lado. Aproveitando a mesma adrenalina, compartilhando o mesmo ar — denso e cheio de promessas. Amando na mesma intensidade, aquela que arde, que me enlouquece, que me tira do controle. Quero seu olhar firme, o desejo mútuo, sem máscaras. Quero desbravar lugares, mergulhar em culturas, provar sabores e conhecer os idiomas que se aprendem com o corpo. 


Quero esse amor livre, sem freios, sem amarras. Um amor que se vive na pele, nos silêncios, nos toques mais sutis. Quero sentir que fui feita para isso. Que cada parte do meu corpo responde ao seu — à sua presença. Desejo o descontrole. Eu não quero o comum. Quero o que foge da regra, o que é só nosso. O que transborda a lógica. Quero intensidade. Desejo que se reconhece no olhar. Algo exclusivo. Onde não existe o “se” — se vou vestir branco, se vou chamar um lugar de lar ou segurar uma nova vida nos braços.


Mas, ao abrir os olhos, paro de sonhar. E então penso: até que ponto posso considerar o desejo? Até que ponto posso me perder em fantasias ou idealizações? Nessa reflexão, um desejo mais real emerge em mim. Um dia, quero parar em um lugar desconhecido e sentir pertencimento. Sentir uma alegria crua. Quero me sentir inteira, livre — sem medo, sem culpa, sem arrependimentos. Uma alegria tão intensa, tão pura. Quero me sentir exausta de viver e, ainda assim, sorrir por dentro. Às vezes, tudo o que desejo é o simples… mas com verdade. Com intensidade. Com presença real. Que venha cru, honesto, quase selvagem. Um querer que não precise se esconder.


E, se eu olhar mais fundo… há aquela parte de mim que evito encarar. Talvez por vergonha. Talvez por medo. Aquela que se excita com o que é proibido. Que se acende quando não deveria. Que sente uma atração silenciosa pelo “não”. Que se deleita com o que não pode. Um sussurro interno, uma vontade que arrepia só de imaginar. Uma parte minha que gosta de flertar com o limite. Que deseja o que desafia. Que vibra na tensão entre o querer e o não poder. Um desejo sem censura.


 
 
 

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4 comentários


Tangerina
04 de mai. de 2025

Eu acredito fielmente que um bom texto é aquele que, entre outras coisas, evoca imagens e sensações naquele disposto a ler. Sua escrita me trouxe, bem claramente, esses dois elementos. Continua!

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Peter Parker
02 de mai. de 2025

Crônica imperdível, daquelas que todos temos que ler e fazer caras e bocas lendo. Os desvios na escrita, a forma como viaja entra vários desejos é incrível. O desejo quase que paupável — e que, as vezes o desejo é físico, sendo assim, tocável. O desejo romântico, com um amor que pertence, que é intuitivo, que é instintivo, que é puro. São tantos e tantos outros desejos. 🕷️

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Odysseus
Odysseus
02 de mai. de 2025

Ótimo texto, não é difícil de se perder na leitura (de forma boa) e sobre um desejo que de certa forma todos compartilham, viver a vida de forma intensa mas no final ter toda a segurança e sensação de dever cumprido.

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Tuca
Tuca
02 de mai. de 2025

adorei a forma como você descreve esse desejo de um amor leve, mas ao mesmo tempo todo preenchido e profundo. compartilho do tal, acho que, no fundo, todos nós queremos viver algo assim, suave mas certeiro

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