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Sersóum

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 3 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Tangerina


É mais fácil lidar com as pessoas quando elas dizem caber em apenas uma palavra.

Ou rótulo. Ou... arquétipo. Simplifica o mundo, organiza a bagunça, otimiza o tempo. Mas eu questiono a verdade dessa classificação tão segura. Dá pra ser só um?


Não tenho respostas. Cada pessoa é um mundo. E me fascina a ideia de que cada pessoa no planeta é um mundo pra si mesma e para os outros.


Já olhou pra Ponte Rio-Niterói à noite? Cada luzinha ali é uma história. Um passado. Uma dor. Um sonho que a mantém viva. Dá pra cada uma dessas luzes ser só uma?


Não sei. Acho que, no fim do dia, eu não sei bem, na verdade, quem eu sou. A gente cria tantas classificações numa tentativa de se encontrar que, às vezes, pode se perder nelas.


Seja original. Mas, ao mesmo tempo, se encaixe. Não seja básica; mostre personalidade. Mas não destoe tanto, porque prego que se destaca leva martelada. Cuide dos outros, mas não tanto: parece que você quer aparecer.

Ame muito, sempre, em voz alta! Mas não tanto assim. É carência, é drama. Mas lembre-se de que a gente é o amor que dá e recebe!


Porra.

Então eu sou o quê?


Não sei onde me achar. E me dá raiva: eu quero me achar. Queria poder dizer, a plenos pulmões, que sou a mais bela das Criadoras ou a mais eficiente das Governantas. Deve ser reconfortante se encontrar assim.


A tarefa de me encaixar, de me rotular, de decidir sempre foi árdua. E é estranho o quanto essa cobrança nos persegue. Como se não bastasse existir, com todas as nossas individualidades e questõezinhas. É preciso ser algo que os outros possam entender e se identificar. Porque, afinal de contas, quem somos nós sem essa validação?


Ah, sim. E lembre-se de nunca expor isso.

Caso contrário, vão te chamar de confusa.


Pois é. Viu essa confusão toda?

Dá pra isso daí ser só um?

 
 
 

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4 comentários


Inês Brasil
Inês Brasil
01 de jul. de 2025

aiquelegal

sedeusforépqdeusquer

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Maru Serano
Maru Serano
29 de jun. de 2025

O seu talento sempre me surpreende! Adorei o uso da antítese pra criar essa dualidade no imperativo do que se deve fazer.

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Jorge M
Jorge M
17 de jun. de 2025

Muito interessante a reflexão sobre a complexidade das pessoas. Muito bom te ver de volta por aqui no universo das crônicas. Parabéns pelo texto.

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Peter Parker
07 de jun. de 2025

Tangerina, que saudades! Gostei MUITO de como você provoca a confusão no leitor, de como diz e rediz logo em seguida como no quinto parágrafo.


Acho que, às vezes nos prendemos tanto no que outros pensarão sobre nossos comportamentos que talvez até enforque nossa alma que deseja ser tão livre. 🕷️

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