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Soyez Heureux

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 2 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Jelly Bean


Ok, só preciso me concentrar... Me pergunto se talvez já devesse ter essa resposta na ponta da língua – com certeza sim – mas não me vem nada à cabeça além do silêncio. Acredito que esteja passando por aquela fase em que tudo se torna mais complicado – ainda posso culpar os hormônios a esta altura?


Seja como - ou porquê – for, me encontro diante de uma crise. Como deveria saber o que realmente desejo se ainda não tive tempo para conhecer a pessoa que sou hoje?


Não que conheça quem um dia já fui – às vezes sinto que nunca realmente a conheci – visto que, se conhecesse, provavelmente saberia quem sou hoje. O que eu desejo? Existe algo que me faça borbulhar na ânsia de possuir ou alcançar?


Tentei encontrar tais respostas pensando: O que me falta? O que eu nunca tive e vivo na agonizante espera para ter?  


Amor. Digo, não aquele que já estamos cansados de ouvir falar, aquele que poucas pessoas têm. Eu quero o destruidor.


Não entendam errado, eu sou amada. Na verdade, acredito que pelo menos uma vez poderei me sentar ao lado dos privilegiados e dizer com tranquilidade que recebi amor de ambos genitores, familiares e amigos. Até mesmo namorados. Mas falta algo. Parece mesquinho? É porque é.


Não é esse amor que me falta. Me falta aquele que me destrói. Aquele que não respeita as barreiras impostas por mim mesma e desaba sobre mim como uma temerosa queda d’agua nas cachoeiras mais perversas. Eu desejo o amor que grita mais alto que qualquer instinto primitivo animalesco.


Tenho carregado o vazio de amar e ser amada de qualquer modo e maneira. Aquele que é simples e aplaudido por todos. O que eu posso mostrar para as pessoas de fora. Eu desejo aquele que tira minha razão e minhas crenças. Que me constrói inteira só para depois desabar como o oceano. Que desabe em meu corpo, alma e mente. Que me faça querer respirar notas melódicas e ritmadas para me sentir cada vez mais próxima do ápice da minha existência.


Sinto-me menos do que sei que sou, pois sei que mereço receber o amor ao qual me refiro. Não quero caber em menos quando sei que mereço, preciso, desejo mais. Ainda não me conheço por completo – um dia descubro – mas até lá esse sentimento vem trazendo inquietação no âmago do meu ser.


Somos fluidos como a água de um rio, amanhã posso não ser mais quem sou hoje. Porém, enquanto permaneço nesta versão de mim, estarei desejando nos confins da minha existência – e nesta crônica – ser destruída, consertada e derrubada pelo amor. Para além, acredito que desejo ser feliz? Haha, brincadeira.

 
 
 

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3 comentários


Jorge M
Jorge M
03 de mai. de 2025

Um desejo diferente, querer aquilo que os outros não querem que você queira, mas muito bem descrito. A reflexão foi muito bem conduzida. Parabéns pelo texto.

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Peter Parker
02 de mai. de 2025

Foda. O desejo de um amor que destrói, que extrapola limites, que é extremo, que nos faz e desfaz, é certamente um desejo incrível. Afinal, todo mundo as vezes quer a sensação de sentir algo por inteiro, até a última gota de bebida, até o seu corpo não aguentar. Texto incrivel, parecia que seria cansativo mas no fim, foi rápido demais.

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Odysseus
Odysseus
02 de mai. de 2025

Tá aí um desejo interessante, não exatamente pelo proibido, mas pelo desconcertante. Ao mesmo tempo que parecia uma leitura longa, quando acabou eu sequer percebi.

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