um desabafo que talvez nunca será escutado.
- Isabela Pelluso
- 11 de abr. de 2025
- 1 min de leitura
Crônica por: Tuca
quantas vezes eu já pedi a todos os santos, anjos, orixás, quem quer que fosse, para que eles parassem de brigar?
quantas vezes eu já deixei de investir em alguém com medo de que meu possível relacionamento seja igual ao deles?
quantas vezes eu já me privei de amar, por medo do amor deles?
é estranho, confuso e até inacreditável pensar que cresci com uma visão de amor muito diferente da maioria. os ver discutindo, dormindo separados, gritando, xingando um ao outro não era, com certeza, pra ser a referência de casamento que eu deveria ter para a minha vida. me perguntei várias vezes o por quê do amor dos filmes não ser igual,ou pelo menos, semelhante ao amor dos meus pais. aliás, me pergunto até hoje, o por quê de conviverem tanto tempo juntos sem ao menos desejar um ao outro.
eles realmente achavam que essa era a melhor solução? em que hipótese, fazer os filhos crescerem em um lar extremante tóxico, seria bom?
hoje, longe de todo o caos, consigo ver o quanto isso me afetou. consigo perceber que, por mais que eu tente, toda e qualquer forma de afeto me assusta. tenho medo de me apaixonar e ter uma relação como a dos meus pais. tenho medo de que no começo seja tudo incrível e, de repente, estar vivendo, novamente, em meio a gritos e discussões.
tenho medo de amar. (?)

Bravo texto, nosso maior porto seguro é nos conhecermos .
Tuca, repetindo o comentário que você fez pra mim: as vivências dos seus familiares não designam as suas. Você pode escrever seu próprio caminho. Obrigada pelo texto! <3
É um ato de coragem reconhecer os próprios medos, isso reflete o que muitos sentem, parabéns por essa coragem
O medo de amar quando se vem refletido de quem mais admiramos é sem dúvidas o maior possível. 🕷️