top of page

Selecionar Perfil

  • The Albatross
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Existe uma grande possibilidade de eu sofrer do complexo da personagem coadjuvante. Olha, não faço ideia se é reconhecido pela psicanálise, mas sinceramente? Se Freud tivesse assistido duas temporadas de Fleabag e ouvido Nothing New pelo menos uma vez, talvez ele entendesse o conceito.


Ao meu ver, essa loucura funciona da seguinte maneira: você passa a vida inteira se sentindo importante o suficiente pra estar presente na história, mas nunca o bastante pra acreditar que ela realmente gira em torno de você. Daí você começa a existir como alguém que aparece em uma cena ou outra, faz comentários engraçadinhos, ajuda emocionalmente os protagonistas e depois vai embora antes dos créditos finais.


Pior que, parando pra pensar, eu meio que desenvolvi a habilidade de me adaptar a cena. Se o grupo é animado, eu viro animada. Se é mais quietinho, então assumo uma postura mais misteriosa e introspectiva, como alguém que provavelmente escuta música indie olhando pela janela do ônibus. Às vezes acho que minha personalidade é um grande “selecionar perfil”.


Talvez isso aconteça porque existe algo muito confortável em ser “fácil”. Fácil de lidar, fácil de incluir, fácil de gostar. O problema é que, depois de um tempo, você percebe que passou tanto tempo tentando não incomodar ninguém que começou a ocupar cada vez menos espaço.


E isso seria profundamente triste se não fosse um pouco ridículo também.

Porque, no fundo, continuo romantizando pequenas coisas da vida, até meus pequenos surtos que eu sei que são desnecessários (porque, apesar de tudo, me considero lúcida, o que talvez você não concorde). Um caos emocional relativamente funcional, sustentado por músicas específicas demais e pela falsa sensação de que reorganizar playlists é uma forma válida de organização psicológica.


Spoiler: não é.


E talvez eu esteja começando a aceitar que nada isso me torna coadjuvante. Só me torna uma pessoa tentando viver sem manual de instruções, igual todo mundo. E pra ser sincera? Às vezes os personagens coadjuvantes são melhores que os protagonistas…


The Albatross

Posts recentes

Ver tudo
VOCÊ QUERIA SER VISTO

Você não tinha intenção, mas sabia que suas faltas faziam quem você era. Ninguém tinha culpa, talvez o sistema, talvez a soma silenciosa de tudo aquilo que você nunca teve coragem. Mas todos os dias v

 
 
 
Eu consigo sozinha

Eu me importo. Eu me preocupo. Eu sempre ajudo. Até quando não mereciam. Até quando não posso. Até quando preciso dar mais de mim do que deveria. E quando o peso do mundo cai sem piedade em meus ombro

 
 
 
Complexo de mártir

Guerreira, bruxa e enfim santa Tudo por seguir um destino que lhe apertava a garganta. Pobre Joana, não renunciou nem a cruz, nem a chama. Em seu peito um chamado que não era sobre apenas vencer; Er

 
 
 

Comentários


©2024 por Ufficina de Leitura e Produção Textual 

bottom of page